quinta-feira, 20 de outubro de 2016

3 Livros para o Dia das Bruxas

 


Como o Dia das Bruxas é, a cada ano que passa, mais comemorado no nosso país, lembrei-me de reunir e de vos apresentar alguns livros de bruxas e monstros que me encantam.


O mistério da minha VIZINHA, de Sylvie Rainaud


Este foi dos primeiros livros infantis que comprei já na idade adulta.
Fui cativada pelas deliciosas ilustrações em tons de outono, que retratam a aventura do gato Martim. Tal como os meninos a quem se dirige a história, o Martim é um gatinho curioso, que é induzido em erro ao acreditar que a vizinha é uma bruxa. É uma história simples, mas não menos completa por isso, que nos ensina a não nos deixarmos iludir pelas aparências.


O Grufalão, de Julia Donaldson


Também neste livro há quem se deixe iludir pelas aparências, mas desta feita em prol do pequeno herói da história: um ratinho corajoso e perspicaz, que, com a sua astúcia, consegue evitar tornar-se a refeição de uma série de outros animais.
O Grufalão, por sua vez, é um monstro de ar (não muito!) assustador, que ao longo destas páginas é caracterizado ao pormenor. Este livro é, por isso, uma boa forma de introduzir o estudo dos adjetivos e/ou do texto descritivo.
A escrita é melódica e ritmada, com rimas e repetições, soa muito bem ao ouvido e é bastante divertida!
 
 
 ONDE VIVEM OS MONSTROS, de Maurice Sendak
 

O que mais me cativa neste livro são, sem dúvida, as ilustrações! Adoro as ilustrações! São tão atuais que quase me custa a acreditar que tenham sido criadas há mais de 50 anos...
É uma história com poucas palavras que retrata a birra de um menino e de como ele lida com os seus "monstros". Esta é, pelo menos, a minha interpretação... Mas realmente, a par das ilustrações, o que torna este livro tão único é o facto de não ser uma história literal, mas que cabe a cada um interpretar.
Foi o que Spike Jonze fez ao transpô-lo para a grande tela, num filme que (confesso!) ainda não vi!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A ovelhinha que veio para o jantar

Sou desde sempre uma apaixonada por livros, embora só mais recentemente me tenha deixado encantar pelos livros infantis...
Ter-me tornado professora, há doze anos, reabriu-me as portas para este universo, do qual me afastara quando deixara de ser criança. E descobrir que ficou muito mais rico desde então, pelo crescendo de obras publicadas nos últimos anos, mas também pela facilidade de acesso a obras estrangeiras através da internet, tem sido fantástico!
Ajudar a espalhar as sementes mágicas, que alguns livros já deixaram em mim, é o objetivo deste blogue...
 
E como tal, acho que só poderia dar-lhe início fazendo referência ao primeiro livro a deixar a sua semente na minha filha...
Com pouco mais de ano e meio, encontrou-o por acaso no meio das minhas coisas e encantou-se. Já o viu milhentas vezes do princípio ao fim, de trás para a frente e salteado! Parecia um amor improvável, pois não seria sequer, no meu entender, um livro adequado à sua idade, mas foi ele que lhe despertou o interesse para o mundo mágico das histórias e dos contos. E, durante mais de um mês, que ninguém ousasse adormecê-la sem lhe contar oralmente esta história! Agora já vai pedindo outras, como a dos Três Porquinhos ou da Cabra Cabrês, mas A ovelhinha que veio para o jantar terá sempre um encanto especial.
 
A OVELHINHA QUE VEIO PARA O JANTAR, de Steve Smallman e Joelle Dreidemy

 
É a história de um lobo mau... que afinal não é assim tão mau!
É um lobo que está farto de comer sopa e sonha com um ensopado de borrego. Nem de propósito, uma ovelhinha bate-lhe à porta e ele recebe-a, mas tendo já em mente que a há de cozinhar.
Só que ao longo da história, uma série de peripécias fazem com que, aos poucos, o lobo se vá afeiçoando à ovelhinha. O que começou por ser o seu jantar acaba por se tornar num amigo!


Haverá quem defenda que o lobo mau das histórias infantis deve permanecer mau até ao fim e ser castigado pela sua maldade. Esta figura, presente em tantos contos tradicionais, tem um papel importante na gestão dos conflitos interiores das crianças. Ajuda-as a distinguir entre o bem e o mal e a compreender que há muitos perigos no mundo, mas simultaneamente sossega-as ao apresentar-lhes uma solução para os mesmos.
Concordo com tudo isto. E talvez por isso tenha já dado a conhecer à minha filha outras histórias com lobos mesmo maus! Mas também creio que é importante as crianças acreditarem na capacidade de mudarmos e de nos tornarmos pessoas melhores. Especialmente, quando somos movidos pelo amor!
E este livro é, sem dúvida, uma ternura!